quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Isso é de menina ou de menino?

   Entro na seção de brinquedos de uma loja e me deparo com um corredor dividido, de um lado produtos em rosa e roxo, do outro produtos com cores mais fortes como vermelho, azul, verde e preto. De um lado brinquedos que remetiam aos itens comuns de uma casa e dos cuidados com os bebês, do outro brinquedos de ação que não lembram nem de longe alguém que cuida de uma casa. Pois é, nesse corredor havia brinquedos "de menina" e "de menino".
   Vivemos numa sociedade machista. Sim, você pode até não ter percebido, mas o que você considera como pensamento normal ou "moral e bons costumes" é só uma conversa machista e fundamentalista que está aí nos convencendo há milhares de anos. Os brinquedos separados por gênero refletem bem esse machismo. Acho até que é mais escancarado nos brinquedos do que em outros assuntos. Brinquedos de menina têm que ser rosa ou roxo, têm que "prepará-las" para o futuro de cuidar dos filhos e da casa. Brinquedos de menino estão ligados ao consumo de carros e outros transportes, a profissões de risco, à aventura, e podem ter uma certa variação de cores, mas rosa, jamais! As crianças crescem com essa concepção de realidade, que é sexista, em que às mulheres estão delegadas as funções de cuidar da casa e dos filhos, e aos homens prover o sustento da família.
   Sexismo é a pré-determinação de comportamento e outros fatores em relação aos gêneros (isso rende outro assunto, mas vou parar por aqui) masculino e feminino. Quando eu digo que uma mulher tem que saber cozinhar porque essa é sua função, estou sendo sexista. Quando digo que um homem não deve criar um filho sozinho, pois ele não conseguiria dar conta, estou sendo sexista. Pré-determinar gostos, costumes, hábitos, modo de falar, andar, agir e inúmeros outros fatores é limitar as escolhas de pessoas diferentes, independente do sexo. Seu filho prefere brincar de boneca? Deixe-o brincar! Sua filha prefere o carrinho? Compre o carrinho pra ela. Desde crianças nós desenvolvemos a sexualidade, mas ela NÃO está relacionada aos brinquedos dos quais gostamos, nem às cores que preferimos. Se você realmente acha que isso influencia, repense sobre seus conceitos, pois você é machista.
   Infelizmente, tive que ceder e comprei uma cozinha de brinquedo para a minha irmã, pois era o que ela queria e eu sabia disso, mas quase comprei um brinquedo muito mais interessante que estava na sessão "masculina". Minha intenção ao escrever este texto não é de convencê-lo a ser feminista ou anti-sexista, quero apenas que você pense sobre isso e sobre as consequências que essa ditadura da brincadeira acarretam na vida adulta. Só quero que, antes de dizer que algo é típico ou propício de um gênero, você pense no porquê disso, e explicações religiosas não valem, pois dogmas (verdades absolutas) não podem ser contrariados mesmo que se discorde de algo. 
   De uma menina que foi criada com brinquedos sexistas, percebeu esse sexismo, hoje é feminista e anti-sexista, e que, se tiver filhos, vai incentivá-los a se perguntarem por que gostam de certo brinquedo, e dizer "porque é de meninx", não vale!

4 comentários:

  1. Concordo em gênero, pois estamos falando de crianças que hj em dia tem liberdade pra expressar oq querem, e essa seleção é feita por eles.
    Uma menina pode gostar de brincar de bola, mas vai ser muito raro ela preferir uma bola que uma Barbie Novinha. Os brinquedos se adaptam ao gosto das crianças e não o contrario. Mas referente a cor somos criados dessa forma, desde a cor do quarto, ou com power ranges que as cores rosas e amarelo sempre eram representados por mulheres.

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    1. Mas será que é o gosto próprio que define de qual brinquedo nós gostamos ou o gosto "imposto" pela sociedade, na forma dos nossos pais, amigos de escola e parentes próximos? É difícil uma menina preferir a bola porque seus pais a programam a pensar que a bola é brinquedo de menino. Já pensou dessa forma?

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    2. Sim, mas sabemos que menino e menina agem de forma diferentes não pela forma como fomos criados, mas sim pelo os hormônios que nos diferenciam um do outro. Isso interfere na forma como agimos da forma mais variada, muito antes de existir brinquedos coloridos. Evolução...

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    3. A linha tênue entre a pré-determinação genética e hormonal e os costumes pregados pela sociedade é que me intrigam. Até que ponto o comportamento é biológico? E quando ele é influenciado pelas relações inter-pessoais? É esse pensamento que eu quero trazer. Não vou discutir biologia com um futuro biólogo, até por que eu não domino o assunto, mas é na relação entre a biologia e a antropologia que eu estou tocando. É só pra pensar mesmo, esse assunto não tem verdade absoluta, isso aqui não é religião. A diferença da ciência está no fato de ela poder ser discutida, desconstruída e reconstruída várias vezes.

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